Manifesto

Na política, uma dissidência é o ato de discordar de uma política vigente, de um poder instituído ou constituído, de uma decisão coletiva ou individual.

A política sempre separou-se em dois pressupostos fundamentais, e os nossos antepassados tinham noção disso ao contrário das novas gerações. De um lado os valores tradicionais, alicerces da sociedade, de cada povo. De outro a defesa do trabalho digno e da economia produtiva, que é o sustento de cada um.

Mas desde o início da modernidade, somos condicionados a apoiar uma direita que defende um puritanismo forçado e penaliza o trabalhador, defendendo o direito de terceiros explorar o patrimônio público e os recursos do estado; ou a apoiarmos uma esquerda, que embora um 1/3 dela ainda defenda direitos sociais e trabalhistas porém, o restante é carregada de degeneração moral. Defendendo pautas contrarias as tradições de cada povo. Sendo que ambas trabalham juntas cada qual em sua área de atuação, para tornar todos os povos alienados de seus direitos e deveres, com os acontecimentos econômicos e sociais em seu próprio solo e incitar um conflito dentre as camadas populares, evitando uma união contra a corrupção e o rentismo.

A dissidência política então, conjuga a defesa dos valores e da moral, juntamente com a defesa do trabalho, da produção e da soberania, rechaçando conteúdos equivocados tendo assim como pilares centrais, a defesa das identidades de cada povo; as crenças religiosas; do comunitarismo e dos três patriotismos conforme defendemos: O município, nosso realidade direta, a província onde nascemos, e o continente que pertence nosso estado regional.

Separatismo não está em desacordo com a mentalidade quarto-teórica, pois autonomia territorial de uma comunidade ligada por aspectos culturais e históricos é a manifestação do ser-aí-no-mundo de Martin Heidegger e adaptado à geopolítica pelo filósofo russo Aleksandr Dugin e pelo filósofo alemão Carl Schmitt. E essa possibilidade de vivenciar a cultura em um espaço demarcado seja grande ou pequeno é uma condição natural do ser humano.

Separatismo então é muito mais do que apenas não estar satisfeito com uma economia centralizadora. Todo sentimento seperatista é o anceio patriotico de um povo, que diz “nós estamos aqui, nós estamos vivos nesse mundo”. É tão ou mais verdadeiro quanto o patriotismo de um grande Estado-nação.

Por isso, nós da Resistência Sulista somos abertamente independentistas, anti-liberais e adeptos da quarta teoria política. E temos noção, que tanto o Estado-Nação moderno, defasado frente às realidades de cada povo no mundo, bem como um unitarismo imperial utópico ou uma simples reação de discordância entre regiões, usados pela sistema global com intuito de gerar revoluções coloridas para causar desestabilizações em países que representem uma ameaça à hegemonia liberal, como por exemplo a primavera árabe e o euromaidan devem ser superados na mesma proporção.

Frente a isso é possível o surgimento de várias alternativas de independentismos sem os fervores enraizados na mentalidade liberal. E isso, não é desacreditar da ideia de um grande espaço, sabendo que o patriotismo regional não é e nem deve ser isolacionista. Por isso, lutamos pela consolidação de várias grandes confederações de Estados autônomos. Em nosso continente sul-americano uma união pan-gaúcha, sulista e Ibero-americana.

Pois é importante uma cooperação federada ou confederada, um dispositivo constitucional que permite a formação de Estados independentes, e aliados por diversos aspectos políticos, religiosos, econômicos e militares como também defendiam a tríade Austral San Martin, Artigas e Peron. Justamente, porque eles também tinham noção, dentro do conhecimento que tinham em sua época, que separar por separar, e tentar viver sozinho a própria sorte, tendo sua comunidade regional isolado no mundo é o mesmo que pedir para ser engolido pelo pântano global anglo-sionista, que, naquela época, já visavam terem a hegemônia global.

Por fim, a nossa proposta então, torna nula a obsessão pela manutenção de um território nacional unitário imposto a nível continental, e estamos dispostos a apresentar uma nova visão de separatismo autenticamente ibero-americano, sulista e gaúcho enraizado nos princípios propostos pela Quarta teoria política. Sempre defendendo, que cada povo seja o mestre do seu próprio destino, mas sem cair nas armadilhas do liberalismo hegemônico da atualidade.