Gaúcho é expressão de uma nova civilização

Gaúcho é expressão de uma nova civilização

Ser gaúcho não é apenas ser um tradicionalista que domina todos os hábitos culturais das regiões gaúchas. Como também não é ser indígena, Ibérico e negro, mas a síntese desses povos que juntos deram origem a uma nova civilização. O povo Gaúcho (de sangue) é fruto dessas terras ao Sul da América do Sul. Portanto, parte intrisseca da civilização platina.

O termo ‘gaúcho’ é sempre objeto de multiplas polemicas e significações desde o aparecimento dos ‘proto-gaúchos’ na pampa argentina. Um ‘gaúcho’ não é um tradicionalista, mas um ‘gaúcho’, tal qual um budista não é um tradicionalista, mas um budista. Um “tradicionalista” é alguem que estuda e se especializa nas diversas tradições do mundo ou alguem que se posiciona em defesa da sua própria cosmovisão tradicional. Já tradição é uma vivência que é transmitida do passado para o presente. É algo intemporal, ou seja, o conceito de tradição é o conceito de uma compreensão positiva da eternidade. O significado de tradição é a afirmação de que existe algo, no sentido pleno da palavra Eterno. Não velho e ultrapassado, mas eterno.

O Tradicionalismo é essencialmente e para muitos isso pode ser uma obviedade, fruto do próprio Mundo moderno. Pois somente quando o homem se distanciam ou já nasceram distante de uma Tradição (primordial ou específica) podemos passar a enxergá-la como um objeto, isto é, pode-se colocá-la diante de si, observá-la a partir de “fora” dela, dissecá-la, ou mesmo defendê-la por meios extrínsecos a si mesma. Por isso, um estudioso tradicionalista não é um homem tradicional, assim como o ser-gaúcho (gaúcho de sangue, povo gaúcho) também não era um tradicionalista, mas se tornou um justamente por ter nos distanciado de nossa cosmovisão tradicional.

Não há como a burguesia brasileira nos tirar este legado, mais acertivo foi, então, deturpa-lo.

Em 1967 foi fundada esta organização que tem por objetivo a aculturação total de imigrantes e seus descendentes, segundo sua própria carta de princípios, eliminando a cultura de seus ancestrais e a substituindo por uma cultura inventada que nada tem haver com aquele gauchismo proletário, passado de pai pra filho e cultivado, principalmente, entre crioulos descendentes de castelhanos e índios. Não! É um “gauchismo de vitrine” um gaúchismo pra brasileiro olhar e achar divertido.

A relação com o militarismo brasileiro estampa diretamente as regras tabuladas pela entidade, onde a vestimenta tem inúmeras páginas de regras a serem seguidas, desde o tamanho do lenço em torno do pescoço ao tipo de bota que se pode usar. Em manifestação recente, Paixão Côrtes reconheceu que o Tradicionalismo “matou” o Folclore. Assim, o cancioneiro gaúcho está incompleto: “A gaita matou a viola, o fósforo matou o isqueiro; a bombacha o chiripá, e a moda (inclusive tradicionalista) o uso campeiro.” E o MTG, o folclore e a tradição, além de andar às turras com a cultura popular.

Trata-se de um escárnio com a verdadeira identidade campeira do povo gaúcho do Rio Grande, pisoteam no legado libertário e socialista dos farrapos e não vêem nesta revolução um exemplo para uma possível independência do Pampa Rio-grandense, que afinal foram estes mesmos falsos gaúchos do MTG que tanto criticaram e perseguiram Irton Marx e o Movimento pela República do Pampa enquanto saboreavam o banquete de mentiras da imprensa carioca, da Rede Globo de Televisão.

Não passam de usurpadores da identidade do povo gaúcho riograndense e assassinos de tradições alheias, querem prender o Rio Grande eternamente ao estado burguês brasileiro, uma repúbliqueta de oligarcas, um país artificial. O povo trabalhador do Rio Grande do Sul é sim patriota! Tem orgulho do hino, da bandeira e da história de revoluções do Rio Grande do Sul e isto em nada tem haver com este gauchismo burguês de bobos da corte à serviço da brasilidade.

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Membro da Resistência Sulista e Dono do blog Australis Regio. Também um ativista ferrenho pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul como uma só pátria sob o estandarte de José Artigas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.