Neoliberalismo: Natureza e Conceituações

Neoliberalismo: Natureza e Conceituações

Por Israel Lira

Tradução Guilherme Fernandes Luz

O neoliberalismo é um termo fictício criado pelo socialismo e pela esquerda para desacreditar o liberalismo real? Friedman, Mises e Hayek eram neoliberais? A Escola de Chicago e a Escola Austríaca podem ser classificadas como neoliberais? O que entendemos por neoliberalismo? Responderemos a essas perguntas de forma concisa, pois nos encontramos em um contexto de crise dos governos neoliberais da Ibero-América.

Para começar, diremos que o neoliberalismo (em sua concepção forte) é um discurso econômico e político. É econômico, porque envolve um foco particular em taxas de juros, impostos e comércio; e é política porque instrumentaliza essa abordagem por meio de políticas públicas baseadas na tricotomia processual do bem-estar: liberdade-eficiência-equidade. Ronald Reagan e Margaret Thatcher são exemplos concretos da conceituação dessa categoria em nível pragmático, na órbita norte-americana e britânica, respectivamente, e que influenciou amplamente a Ibero-América desde o Consenso de Washington de 1989, seu suporte ideológico, cujos 10 princípios nevrálgicos são os seguintes:

Disciplina na política fiscal, com foco em evitar grandes déficits fiscais em relação ao Produto Interno Bruto;
redirecionamento de gastos públicos em subsídios (“especialmente subsídios indiscriminados”) para um maior investimento em pontos críticos de desenvolvimento, serviços pró-pobres como educação primária, atenção primária à saúde e infraestrutura;
reforma tributária, ampliando a base tributária e adotando alíquotas marginais moderadas;
taxas de juros determinadas pelo mercado e positivas (mas moderadas) em termos reais;
tipos de cambio competitivos;
liberalização comercial: liberalização das importações, com especial ênfase na eliminação de restrições quantitativas (licenças, etc.); qualquer proteção comercial deve ter tarifas baixas e relativamente uniformes;
liberalização das barreiras ao investimento direto estrangeiro (IDE);
privatização de empresas estatais;
desregulamentação: abolição de regulamentações que impeçam o acesso ao mercado ou restrinjam a concorrência, exceto aquelas que se justifiquem por razões de segurança, proteção do meio ambiente e do consumidor e supervisão prudencial de entidades financeiras;
Segurança jurídica para os direitos de propriedade”.
A nível académico, reafirma-se também esta concepção forte, que especifica que o termo «economia neoliberal» não é uma categoria de análise adequada, porque o neoliberalismo enquanto tal não tem um campo de estudo próprio nem na teoria económica nem na política económica. (Gaviria Ríos: 2004), para o qual o termo académico mais adequado é o de discurso neoliberal (onde certamente se reconhecem várias ideias do pensamento económico clássico e contemporâneo), mas devido à sua visão dogmática e/ou fundamentalista (por isso que chama-se fundamentalismo de mercado, pois na prática serve apenas aos interesses de uma minoria contornando os controles e o funcionamento das democracias –Joseph Stiglitz, 31.12.2017, ou o que dá no mesmo, um Estado forte que estabelece um arcabouço para o mercado, que é,que impõe a política econômica, mas na prática só usa essa força para defender o benefício exclusivo da classe empresarial sob a premissa de que isso resultará no bem-estar geral, mas já sabemos que é este último em toda a Ibero-América , sob a ideia do famoso trickle, promessa não cumprida em toda a região devido à ideia ingênua de que a mesma classe empresarial, vendo-se beneficiada por políticas econômicas, necessariamente e em todos os casos gerará um cenário de desenvolvimento generalizado e não lucro individualizado, origem de grandes fortunas em detrimento das facilitações estatais de privatização e desregulamentação), acaba se tornando uma narrativa acrítica, mas real como fato empírico verificável, de modo que o neoliberalismo não é uma invenção socialista ou de esquerda.mas que na prática só usa essa força para advogar em benefício exclusivo da classe empresarial sob a premissa de que isso resultará no bem-estar geral, mas já sabemos que é este último em toda a Ibero-América, sob a ideia do famoso gotejamento, promessa não cumprida em toda a região devido à ideia ingênua de que a mesma classe empresarial, vendo-se beneficiada pelas políticas econômicas, necessariamente e em todos os casos gerará um cenário de desenvolvimento generalizado e não de lucro individualizado, o origem de grandes fortunas em detrimento das facilitações do Estado à privatização e desregulamentação), acaba se tornando uma narrativa acrítica, mas real como um fato empírico verificável, de modo que o neoliberalismo não é uma invenção socialista ou de esquerda.mas que na prática só usa essa força para advogar em benefício exclusivo da classe empresarial sob a premissa de que isso resultará no bem-estar geral, mas já sabemos que é este último em toda a Ibero-América, sob a ideia do famoso gotejamento, promessa não cumprida em toda a região devido à ideia ingênua de que a mesma classe empresarial, vendo-se beneficiada pelas políticas econômicas, necessariamente e em todos os casos gerará um cenário de desenvolvimento generalizado e não de lucro individualizado, o origem de grandes fortunas em detrimento das facilitações do Estado à privatização e desregulamentação), acaba se tornando uma narrativa acrítica, mas real como fato empírico verificável, de modo que o neoliberalismo não é uma invenção socialista ou esquerdista.

Tocando no conceito específico, resta ver o conceito genérico (que é tratado em um nível coloquial, mas não por isso deixa de ter seu aspecto objetivo como veremos) para o qual vamos diferenciar o conceito forte ou determinado (estritamente sensu) já tocou, com o conceito lato sensu de neoliberalismo (concepção genérica ou fraca), o chamado guarda-chuva, para se contrapor a eles e assim ter uma visão completa do objeto de estudo.

A categoria universal ou geral do neoliberalismo está mais relacionada à história do pensamento econômico e se refere ao novo liberalismo que surgiu no ínterim entre o final da primeira e a segunda guerra mundial, e cuja origem pode ser atribuída à cunhagem de o termo pelo economista liberal alemão Alexander Rustow na Conferência Walter Lippmann em 1938, e que tentou fornecer formas alternativas dentro do próprio liberalismo como uma resposta à crise da Grande Depressão. Após a Segunda Guerra Mundial, essas iniciativas são continuadas pela Sociedade Mont Pelerín em 1947.

Diante disso podemos definir o neoliberalismo (concepção fraca) como o amplo leque de novas teorias liberais que surgem após a primeira e após o fim da segunda guerra mundial, não há aqui um único bloco de coesão de ideias, mas a unidade metodológica de propondo novas formas de liberalismo. O que é comprovado pelo incidente de Mises na Sociedade Mont Pelerín, (fundada por iniciativa do próprio Mises junto com Hayek) em relação a seus membros, todos liberais de diferentes correntes, ao mencionar: “todos vocês são um grupo de socialistas” (Losoviz, 2015). Com base no exposto, podemos agora opor a categoria geral à categoria específica.

A categoria geral é estritamente histórica, tudo o que hoje significa uma nova proposta do liberalismo se configura como neoliberalismo (concepção que se identifica com o uso coloquial), assim, a Escola de Chicago é tão neoliberal quanto alguns pensadores da Escola Austríaca.No entanto, quando vamos às diferenças particulares ao nível teórico de cada proposta do novo liberalismo (agora a partir do incidente de Mises), o neoliberalismo só se limita (categoria específica) à aplicação do conjunto das 10 premissas estabelecidas pelo Consenso de Washington e a algumas escolas econômicas que veem a necessidade de um Estado forte para estabelecer o arcabouço do mercado (a Escola de Chicago p. ex. ), e é por isso que, nisso, os libertários estão certos em justificar que Mises-Hayek e os austríacos não são neoliberais por causa de sua oposição a todas as formas de intervencionismo (O que não torna os austríacos, e seu apoio político libertário, menos fundamentalistas de mercado do que os neoliberais), o que não inibe o fato, como se viu, de que algumas de suas ideias tenham influenciado o discurso neoliberal.

Referencias bibliográficas

GAVIRIA RIOS, Mário Alberto. (2004). Neoliberalismo e desenvolvimento na América Latina. In: Revista Acadêmica e Institucional. Nº 69. https://biblioteca.ucp.edu.co/ojs/index.php/paginas/article/view/406/376

LOSOVIZ ADAUI, Pablo. (2015). Fundamentos Teóricos da Controvérsia Hayek-Keynes. Duas visões sobre a ordem econômica e a história». Universidade Complutense de Madrid. Tese de doutorado. Em: http://eprints.ucm.es/40821/1/T38244.pdf?fbclid=IwAR0IjoUJZc1C2Bp7aWtAsN2ayVX0R940qdOdm06ccn1qR-xHrB6YBjJgwpo

Bibliografia

CENTRO DE MISES. (2016). “Mises vs. Neoliberais”. Em: https://www.mises.org.es/2016/04/mises-contra-los-neoliberales/

CENTRO DE MISES. (2016). “Porque os austríacos não são neoliberais.” In: https://www.mises.org.es/2016/01/por-que-los-austriacos-no-son-neoliberales/ (“…a Escola de Chicago… poderia ser classificada como neoliberal. eles se opõem ao socialismo, mas também ao manchesterismo, ou seja, eles se opõem à abordagem laissez faire do liberalismo clássico… a Escola de Chicago… eles são a favor de um Estado forte para estabelecer a estrutura para o mercado e direcionar a vida econômica em certas direções. o Estado para fornecer alguma seguridade social”).

UNIVERSIDADE FRANCISCO MARROQUIN. (2015). As diferenças entre a Escola Austríaca de Economia e a Escola Neoclássica. Dois entre outros». Em: https://bazar.ufm.edu/las-diferencias-entre-la-escuela-austriaca-de-economia-y-la-escuela-neoclasica-dos-entre-otras/

Fonte: LIRA, Israel. «Coluna de Parecer nº 117 de 11.01.2019». O Jornal da Verdade.

https://www.geopolitica.ru/es/article/neoliberalismo-naturaleza-y-conceptualizaciones

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Membro da Resistência Sulista e Dono do blog Australis Regio. Também um ativista ferrenho pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul como uma só pátria sob o estandarte de José Artigas.

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