Sobre o Massacre dos “Monges Barbudos”

Sobre o Massacre dos “Monges Barbudos”

Conheça a história do massacre dos Monges Barbudos de Soledade/RS. Foi na Páscoa de 1938 – Deca França, Tácio Fiúza e pequenos agricultores foram assassinados pelo Estado de ocupação brasileira no Rio Grande do Sul, a serviço do Estado Novo e a pedido dos comerciantes de fumo e fazendeiros. O fato aconteceu em Bela Vista, atualmente município de Lagoão/RS.

A organização de pequenos campeiros de origem crioula – descentes de brancos e índios -, na sua maioria, em torno de um ideário religioso, sob a liderança de um líder carismático conhecido como São João Maria, que deu origem a um dos principais movimentos messiânicos da República Rio-Grandense no século XX.

Trata-se de uma comunidade pacifica, que se organizava no interior dos municípios de Soledade/RS e Sobradinho/RS, mais precisamente nos então distritos de Lagoão, Bela Vista, Despraiado, Tunas, Jacuizinho e Arroio do Tigre, quase no final da década de 1930.

Depois de alguns anos, o movimento se fortaleceu, o que causou grande temor aos colonos imigrantes/descendentes de alemães e italianos e, principalmente, aos “bodagueiros”, que viviam da troca de produtos com os demais colonos. A “solução” então encontrada pelos temerosos foi a delação ao poder público, já com a queda da Segunda República e anexação do território rio-grandense pelo Brasil. Com medo de uma nova reação independentista dos rio-grandenses, o aparato coercitivo do Estado fantoche não tardou a chegar: guarnições de Santa Maria e Cachoeira do Sul, juntamente com os colonos e os “bodagueiros” armados, colocaram um ponto final injustamente no movimento implicando em um genocídio dos membros da comunidade.

O conflito dos “monges” de Soledade/RS soma-se à lógica da hecatombe promovida pelo governo fantoche do unitarismo brasileiro, frente aos demais movimentos religiosos da América Portuguesa, como Muckers, Canudos e Contestado, todos cruelmente massacrados pelas forças unitárias oficiais.

Esses campeiros crioulos, em sua maioria, nunca tiveram seus direitos reconhecidos, nem mesmo através de um pedido público de desculpas pelas autoridades do poder central, por esse crime de Estado singularmente gratuito.

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Membro da Resistência Sulista e Dono do blog Australis Regio. Também um ativista ferrenho pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul como uma só pátria sob o estandarte de José Artigas.

3 comentários sobre “Sobre o Massacre dos “Monges Barbudos”

  1. A localidade de Bela vista onde ocorreu o assassinato dia barbudos fica no município de Segredo e não Lagoão como foi dito acima.

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