A Metafísica do Atraso

A Metafísica do Atraso

Por Alexander Dugin

Tradução Guilherme Fernandes / Resistência Sulista

O esclarecimento da relação da filosofia de Heidegger com as ideologias políticas da Terceira Via nos leva a um problema muito delicado, que pode ser denominado “o problema da demora”.
Depois que a filosofia alemã, formalizada por Nietzsche e interpretada por Heidegger, foi reconhecida como o Fim da metafísica da Europa Ocidental, a localização seyns geschichtliche da “grande meia-noite” foi teoricamente cumprida. Mas isso significa que foi alcançado? Essa questão, em que a incerteza e as oscilações se revelam conscientemente, explica de muitas maneiras os paradoxos dos laços da Revolução Conservadora com a história do Terceiro Reich.

Duas ideologias, no centro das quais estava o niilismo ontológico franco – liberalismo e comunismo – conquistaram não apenas uma vitória militar, mas filosófica, cujo significado é ainda mais significativo porque foi conquistado não apenas de fora, mas de dentro, na medida em que pois as ideologias políticas da Terceira Via não conseguiram entrar no caminho de outro Começo e, consequentemente, perderam antes mesmo do início da batalha decisiva. A Alemanha perdeu, sendo dividida em duas partes. A Europa perdeu, sendo ocupada metade pela URSS, metade pelos EUA, como duas formas de um mesmo mal, infinito em sua niilidade.

Se o Fim tivesse chegado e sido reconhecido, então, no quadro da seyns geschichtliche história da Alemanha como o centro do pensamento europeu na era do Fim, a transição para outro Começo, e para o próprio Ereignis, poderia e deveria ter ocorrido. As visões proféticas de Hölderlin e as previsões filosóficas de Hegel a respeito do “narod dos filósofos” deveriam ter alcançado seu ponto culminante e voado para algo grande e sem precedentes.

E embora num determinado momento parecesse que isto “está para ocorrer” e que o que estava ocorrendo era justamente este outro Começo, de fato, tornou-se claro que essa possibilidade era efêmera, e portanto que o ponto da meia-noite era novamente não alcançado. “Sempre isso ainda não”, como Heidegger diz em seu texto muito importante, “Para que servem os poetas?”Em sua entrevista “Spiegel”, publicada após sua morte, Heidegger afirma: “Aparentemente, só um Deus pode nos salvar agora”. Frase significativa para um pensador que sempre insistiu que o último Deus não é chamado para salvar ninguém: ele simplesmente vem e passa, acenando com a cabeça aos homens, que encontram a sua vocação de “guardiães do ser”. Agora, esta chegada do último Deus é inacreditável.

Em sua entrevista “Spiegel”, publicada após sua morte, Heidegger afirma: “Aparentemente, só um Deus pode nos salvar agora”. Frase significativa para um pensador que sempre insistiu que o último Deus não é chamado para salvar ninguém: ele simplesmente vem e passa, acenando com a cabeça aos homens, que encontram a sua vocação de “guardiães do ser”. Agora, esta chegada do último Deus é inacreditável.O destino da Alemanha de Hitler e a posição de observador de Heidegger nela, como também seu destino pessoal e o destino de sua filosofia, mostram inequivocamente que, desta vez, também “ainda não”, que os relâmpagos acidentais foram considerados os primeiros raios da manhã avançando; a escuridão deles só se tornou ainda mais profunda. E os textos do pós-guerra de Heidegger estão cheios de desespero corajoso. O que era para acontecer não aconteceu. Mais uma vez “não ocorreu”. Duas ideologias, no centro das quais estava o niilismo ontológico franco – liberalismo e comunismo – conquistaram não apenas uma vitória militar, mas filosófica, cujo significado é ainda mais significativo porque foi conquistado não apenas de fora, mas de dentro, na medida em que como as ideologias políticas da Terceira Via não poderiam entrar no caminho de outro Começo e, consequentemente, perdeu antes mesmo do início da batalha decisiva. A Alemanha perdeu, sendo dividida em duas partes. A Europa perdeu, sendo ocupada metade pela URSS, metade pelos EUA, como duas formas de um mesmo mal, infinito em sua niilidade.Em certo momento, notas de desespero se ouvem na voz de Heidegger: técnica como o destino do Ocidente assumiu a totalidade de seus direitos, as armas nucleares estavam prontas para destruir a Terra, para igualar o mundo, já atolado no niilismo, com nada; ninguém agora se lembra do início da noite, já que a memória da luz (que seja o crepúsculo e a luz do entardecer) foi solidamente e seguramente apagada. O homem em sua “inautenticidade” se esqueceu de ser a tal ponto que simplesmente não entende mais do que se está falando.

Em certo momento, notas de desespero se ouvem na voz de Heidegger: técnica como o destino do Ocidente assumiu a totalidade de seus direitos, as armas nucleares estavam prontas para destruir a Terra, para igualar o mundo, já atolado no niilismo, com nada; ninguém agora se lembra do início da noite, já que a memória da luz (que seja o crepúsculo e a luz do entardecer) foi solidamente e seguramente apagada. O homem em sua “inautenticidade” se esqueceu de ser a tal ponto que simplesmente não entende mais do que se está falando.Em sua entrevista “Spiegel”, publicada após sua morte, Heidegger afirma: “Aparentemente, só um Deus pode nos salvar agora”. Frase significativa para um pensador que sempre insistiu que o último Deus não é chamado para salvar ninguém: ele simplesmente vem e passa, acenando com a cabeça aos homens, que encontram a sua vocação de “guardiães do ser”. Agora, esta chegada do último Deus é inacreditável. A própria possibilidade de “os futuros” (kunftige) se tornarem “os futuros” é fechada por todo o poder planetário totalitário do passado; não daquilo que era, mas daquilo que passou, passa e passará no mesmo momento em que vier. Conseqüentemente, não há como cantar um hino ao Deus vindouro. E, no final das contas, não há ninguém para salvar.

Em sua entrevista “Spiegel”, publicada após sua morte, Heidegger afirma: “Aparentemente, só um Deus pode nos salvar agora”. Frase significativa para um pensador que sempre insistiu que o último Deus não é chamado para salvar ninguém: ele simplesmente vem e passa, acenando com a cabeça aos homens, que encontram a sua vocação de “guardiães do ser”. Agora, esta chegada do último Deus é inacreditável. A própria possibilidade de “os futuros” (kunftige) se tornarem “os futuros” é fechada por todo o poder planetário totalitário do passado; não daquilo que era, mas daquilo que passou, passa e passará no mesmo momento em que vier. Conseqüentemente, não há como cantar um hino ao Deus vindouro. E, no final das contas, não há ninguém para salvar.

Então, de onde é tirado esse “ainda não”? Responder a essa pergunta equivale a desvendar a razão sem geschichtliche oculta para a derrota interna e externa da Terceira Via, e também a lógica do destino do próprio Martin Heidegger.

O “ainda não”, e também a expectativa de um Ereignis rápido, o sopro da proximidade de outro Começo, a declaração de um rumo à ontologia-fundamental – o que é isso? A determinação imprecisa de um momento, lugar, instante? Isso é um erro de cálculos, expectativas e localizações, ou o problema é outro?

Fonte: https://theradicaloutlook.com/the-metaphysics-of-delay/

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Membro da Resistência Sulista e Dono do blog Contra o Sistema Mundial. Também um ativista ferrenho pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul como uma só pátria sob o estandarte de José Artigas.

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