ANITA GARIBALDI: A REVOLUCIONÁRIA HEROÍNA DOS DOIS MUNDOS

ANITA GARIBALDI: A REVOLUCIONÁRIA HEROÍNA DOS DOIS MUNDOS

Por Guilherme Fernandes / Resistência Sulista

Duzentos anos depois de seu nascimento, a revolucionária catarinense nascida no dia 30 de Agosto de 1821 em Morrinhos do Mirim, em Laguna, na então proclama República Juliana (atual Santa Catarina). Se tornou conhecida primeiramente por ser de família humilde, que valorizava a cultura e a educação. Quando seu pai faleceu, Anita foi forçada a se casar já  aos 14 anos com um sapateiro local, um jovem de personalidade típica da época, grosso e resoluto, que ao contrário dela, defendia e gostava de participar das questões imperiais defendendo fielmente o regime monárquico. Mas em Julho de 1839 a vida de Anita foi transformada, pois é nesse momento que sua trajetória se inicia. Avistou um homem italiano, carismático e com uma fama que se estendia por todo o mundo. Era nada menos que Giuseppe Garibaldi. 

Quando o pirata italiano chega ao Rio de Janeiro em busca de exílio após ser condenado à morte em seu país, toma conhecimento das revoltas regionais que aconteciam no império do Brazil sobretudo a Revolta dos Farrapos no Rio Grande do Sul, movimento comandado por Bento Gonçalves e ligado aos latifundiários abolicionistas e republicanos que lutavam pelo fim do Império brasileiro.

Quando Giuseppe soube dessa revolução, logo se envolveu no apoio em defesa da causa. Com homens, armas e um veleiro à sua disposição, seguiu para a cidade de Laguna, lugar onde conheceu Anita, que já estava envolvida com os farrapos. Foi amor à primeira vista e a partir desse momento seguiram sempre unidos em qualquer situação. 

No dia 20 de outubro de 1839, Anitta subiu a bordo do navio de Garibaldi para uma expedição até Cananéia, abandonando definitivamente sua antiga vida para trás. Em batalha, era uma mulher valente e não media esforços: chegou a carregar e disparar canhões na batalha de Laguna e lutou bravamente durante o combate em Imbituba, Santa Catarina.

Apesar de ser destemida é uma exímia combatente, Anita Garibaldi foi capturada pelas tropas do Império durante a Batalha dos Curitibanos, mas conseguiu executar uma fuga surpreendente, nadando pelo rio Canoas e indo ao encontro de seu amado em Vacaria. Surpreendente, porque  ela realizou essa façanha já grávida de seu primeiro filho. Em 1841 Bento Gonçalves dispensa Giuseppe, que segue com Anitta para o outro lado da província sul-oriental, em Montevidéu, engajando-se na frente da defesa contra o ex-presidente do Uruguai, Oribe. 

Em 26 de Março de 1842 Anita casa-se com Garibaldi na paróquia de San Bernardino. Os recém casados viajam para a Itália e lá continuam envolvidos em lutas populares como para a reunificação do país, que na época estava dividido em reinos e repúblicas, além dos territórios pertencentes ao Papa. Sem sucesso na empreitada, são obrigados a fugir de Roma após a derrota na Batalha do Gianicolo. Assim seguem viagem para a Suíça, disfarçados de soldados. Ao passarem pela cidade de San Marino, a embaixada norte-americana ofereceu um salvo conduto para tirar o casal da situação de risco, mas Anita e Giuseppe não aceitaram por acreditarem que uma atitude de “rendição” poderia impactar negativamente o processo de reunificação.

Continuaram em fuga e durante esse percurso como fugitivos, Anita adoece durante um viagem, na região próxima a província de Ravenna. Estava gestante de cinco meses e não resistiu a uma forte crise de febre tifóide, falecendo nos braços do seu amado esposo no dia 4 de agosto de 1849 em Mandriole, Itália. Com o momento de perseguição que enfrentava, Giuseppe precisava continuar em fuga e não conseguiu acompanhar o sepultamento de sua esposa. O revolucionário italiano então seguiu viagem, permanecendo exilado dez anos fora da Itália. 

Posteriormente, foi erguido um monumento em homenagem a Anita Garibaldi na colina de Gianicolo em Roma, junto ao local onde estão enterrados seus restos mortais. A casa onde Anita Garibaldi residiu em Laguna, Santa Catarina, foi transformada em museu aberto reunindo o acervo histórico das batalhas e objetos que pertenceram à heroína.

Seu nome se tornou conhecido como a Heroína dos dois Mundos por participar da Revolta dos Farrapos lutando pelos ideais republicanos e liberdade das províncias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Uruguai, mais tarde pela reunificação da Itália junto com seu marido Giuseppe Garibaldi. Nunca baixou a cabeça para ninguém, jamais aceitou atitudes tirânicas e injustiças contra as pessoas. Sempre se colocando disposta a lutar pelos povos custe o que custar. Sua luta e suas ações diárias eternizaram seu nome na história, sendo referência às mulheres de todo o mundo até os dias de hoje. Uma grande figura feminina do Sul platino, não foi a única na história, mas seu protagonismo, deve ser recordado por ser uma heroína em dois continentes, um feito pouco comum a uma mulher naquela época.

Guerreira farrapa, guerreira uruguaia, Guerreira italiana, com um filho no braço e no outro um fuzil. Anitta menina da verde laguna, Mulher farroupilha, llegaste tua fibra, fizeste tuas filhas a todas mulheres, a todas mulheres do sul platino.

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Membro da Resistência Sulista e Dono do blog Contra o Sistema Mundial. Também um ativista ferrenho pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul como uma só pátria sob o estandarte de José Artigas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *