A Hora dos Povos

A Hora dos Povos

Compilados peronistas por Ricardo Voglino

Tradução Guilherme Fernandes / Dono do blog Contra o Sistema Mundial e Membro da Resistência Sulista

Conclusões

1 – No mundo complexo em que vivemos hoje, nada se desenvolve em compartimentos fechados. O progresso das comunicações e o transporte tornou a terra tão pequena, se não no espaço no tempo, que a vida de relacionamento é tão intensa, que nada escapa à influência dos fenômenos que ocorrem, em todas as ordens, em todo o planeta.

2 – Portanto, não é mais possível analisar os problemas intrinsecamente nacional, mas sujeito à evolução geral do mundo e às influências de todos os tipos que essa evolução infere, de acordo com as condições de tempo e lugar, às conexões existentes e à influência dos “poderosos” que tentam dominar.

3 – A tudo isso, deve-se acrescentar que o desenvolvimento tecnológico e a explosão demográfica, desdobrou um novo processo, ou pelo menos se expandiu, e acelerou do que foi até agora a influência evolutiva nos países e seus povos.

4 – Não há dúvida de que o mundo está em plena evolução para novas formas no âmbito econômico, social, político, cultural, etc. Para caracterizar uma nova etapa na evolução da humanidade, destinada a melhor satisfazer as necessidades do mundo e do homem de hoje.

5 – O progresso da ciência e da tecnologia, por um lado, que oferece mais possibilidades, e a explosão demográfica, por outro, que cria maiores necessidades e novos problemas, empurram-nos constantemente para novos modos de vida e sistemas sociais mais adequados a essas necessidades e problemas.

6 – Dentro do exposto, as diferenças entre desenvolvimento e subdesenvolvimento praticamente dividiram o mundo em dois setores: um que luta para dominar e outro que tenta se defender da exploração e da dominação dos fortes. A partir dos atuais agrupamentos que obedecem ao imperialismo ianque ou do império soviético, e daqueles que buscam conformar um “Terceiro Mundo” tão distante de um quanto do outro dos imperialismos dominantes.

7 – Daqui resultam também as ideologias atuais: os que continuam a pensar que a solução está em insistir no sistema capitalista, os que pensam que a solução deve ser o socialismo internacional dogmático e os que acreditam que a verdadeira solução depende de um socialismo nacional. Diante da inevitável expiração do capitalismo demoliberal, pode-se prever que o mundo será, no futuro, socialista: os homens dirão em qual de seus significados.

8 – Não há dúvida de que, dentro deste panorama, a luta se desencadeia por toda parte, tanto onde explode como acumula pressões para o futuro, nos países que buscam se libertar das potências imperialistas ou nos povos que o procuram. contra as oligarquias exploradas contra as burguesias de exploração. No problema mundial como um todo, as ideologias foram superadas pela luta de libertação.

9 – A Argentina de hoje se encaixa perfeitamente neste esquema: é um satélite do imperialismo ianque e seu governo está a serviço da oligarquia e da burguesia. O seu povo, logicamente, é tanto contra o imperialismo como contra a oligarquia e a burguesia, mas sobretudo contra o Governo que o serve e as forças de ocupação que o tornam possível.

10 – A esta oposição individual correspondem juntas, embora não de forma organizada, quase todas as forças políticas; mas sua conduta e atitude não significam nada de concreto contra a ditadura militar que assola o país, ou porque estão cansados ​​da longa luta, ou porque não há acusações à vista, ou porque temem a repressão violenta da ditadura. Conclui-se que o fracasso está especialmente no horizonte gerencial.

11 – Os últimos vinte anos de história têm provado eloquentemente com fatos a razão que tem auxiliado o Justicialismo em suas premissas essenciais: a necessidade de evolução, a conveniência da integração geopolítica continental e a oportunidade de integração histórica no “Terceiro Mundo”.

12 – Não há dúvida de que o imperialismo dos EUA se opõe dissimuladamente à integração latino-americana, porque sua política sempre foi de “separar para reinar” e porque os Estados Unidos não estão interessados em uma América hispânica forte ou rica dentro do neocolonialismo ao qual está atualmente submetido.

13 – Da mesma forma que é quase abertamente contra seu desenvolvimento, especialmente industrial, primeiro porque é seu fornecedor e então porque uma América Ibérica industrializada deixaria para trás seu subdesenvolvimento, não seria mais praticamente uma colônia ianque, de modo que a metrópole perderia seu negócio atual e a subjugação que, politicamente, é indispensável na atual situação americana.

14 – A atual intervenção americana, com o “conto da cooperação”, na integração Ibero-americana é uma forma para sabotá-la inteligentemente. Historicamente, a intenção Ianque sempre foi o mesmo desde 1820, quando tenta gerenciar a constituição da “Aliança Geral do Comércio” e todos as organizações posteriores promovidas pelos Estados Unidos para os nossos dias atuais tiveram o mesmo propósito.

15 – A “Aliança para o Progresso”, como todos os sistemas de “ajuda” colocados em prática, não é tal ajuda. É a simples colocação de capital excedente com juros leoninos sem risco para o credor. Quando se diz que a ajuda será do capital privado, já sabemos do que se trata. Os investimentos de capital, como o estabelecimento de indústrias americanas e empresas comerciais na América Ibérica, são apenas uma maneira de descapitalizar e colocar nossos países em dívidas.

16 – A integração continental da América Ibérica é indispensável: O ano 2000 nos encontrará unidos ou dominados, mas essa integração deve ser obra de nossos países, sem estranhas intervenções de qualquer espécie, para criar, graças a um mercado ampliado, sem fronteiras, as condições mais favoráveis ​​para o aproveitamento do progresso técnico e expansão econômica; para evitar divisões que podem ser exploradas; para melhorar o padrão de vida de nossos duzentos milhões de habitantes; dar à América Ibérica, face ao dinamismo do nível de vida dos “grandes” e ao despertar dos continentes, a posição que lhe deve corresponder nos negócios mundiais, e criar as bases para os futuros Estados Unidos da América Ibérica.

17 – Somente por meio desta Comunidade Econômica Ibero-americana pode-se chegar a um Mercado Comum Ibero-americano, e só com isso e com nosso próprio esforço e nosso trabalho se poderá superar a crise econômica e o subdesenvolvimento que assolam nossos países. Ninguém fica rico pedindo emprestado ou sendo explorado por outros.

18 – A penetração do imperialismo americano no mundo tem sido denunciada com clareza e certeza desde a Europa e especialmente da França, bem como pelos métodos que os Estados Unidos têm utilizado na sua penetração. Para os Ibero-americanos não é uma novidade: há um século que sofremos, de uma forma ou de outra, a ponto de podermos afirmar com a realidade que o pior que pode acontecer a um país é que os Estados Unidos ajudem isto.

19 – Um exemplo disso é dado pelo Justicialismo Argentino, que em seus nove anos de governo dispensou toda “ajuda” americana, não aceitando empréstimos, nem investimentos, nem assentamentos, etc. Pois bem, nesses nove anos foi a primeira vez, em toda a história da República Argentina, que conseguiu afinar a sua economia, repatriando a sua dívida pública total, constituindo uma reserva financeira, reduzindo ao mínimo os serviços financeiros anuais para o exterior, alcançando uma balança comercial favorável e constituindo uma economia da abundância sobre a economia da miséria que recebera nove anos antes.

20 – O desenvolvimento industrial, decididamente impulsionado pelo justicialismo, foi detido e depois destruído pelos governos “gorilas”, obedientes a um mandato imperialista, revertendo assim o desenvolvimento argentino vinte anos, transformando-se em um país subdesenvolvido que caminhava decisivamente para a sua grandeza., Descapitalizando-o novamente, tomando emprestado em alguns anos a uma taxa nunca antes alcançada, devolvendo-o a uma economia de miséria, acumulando desemprego monstruoso com uma economia popular de miséria, e assim por diante.

21 – Para os nossos países, é necessário persuadir-nos da necessidade de evoluir, de fazer a partir de agora o que nos resta seguir, sem esperar que o tempo nos empurre depois. Por outro lado, só podemos neutralizar a ação imperialista na medida em que formos capazes de lutar para nos colocar cultural e tecnologicamente no auge. Nós sabemos como isso pode ser feito. Tudo depende de sermos capazes de fazer isso.

22 – Nosso país, dentro do mundo complexo que mencionamos, enquadra sua situação particular dentro de sua própria evolução, influenciado por suas características originais, embora não escapa de forma alguma ao que é comum na evolução geral. Infelizmente, os homens que o destino ou o acaso colocaram em posição de decidir estão em outra coisa que pouco tem a ver com a grandeza do país e a felicidade de seu povo.

23 – Dentro do drama que vive a Argentina hoje, embora a destruição de sua economia seja importante, foi muito mais desastrosa do que a “destruição da Argentina” do que o” gorilismo” conseguiu, e isso se evidencia no desânimo, incerteza, apatia e desinteresse do cidadão que pode ser visto em todas as manifestações mentais dos homens do povo argentino.

24 – Apreciamos que a experiência destes doze anos de irregularidades governamentais foi grande e valiosa para todo o povo argentino. Percebemos claramente que a opinião pública começa a ser cada vez mais favorável à evolução proporcionada por aquela experiência. Sabemos que o justicialismo é cada vez mais compartilhado pelos cidadãos, talvez não porque tenhamos sido superlativamente bons, mas porque nossos sucessores foram tão ruins que, em última análise, temos nos revelado ótimos. Acreditamos que é fundamental remediar a situação intolerável que prevalece e que para isso devemos unir esforços na ação decisiva. Por isso somos partidários de uma união de boa-fé de todos os argentinos, para formar um grande movimento nacional para enfrentar a ditadura militar da maneira que for necessária, para devolver ao povo argentino o mais breve possível a soberania. que foi retirada.

25 – Mas para alcançar objetivos tão elevados, é necessário que as massas sejam enquadradas por líderes capazes e que a liderança seja a garantia do sucesso que buscamos. Isso não será possível com motoristas que perderam suas condições, porque nada pode ser alcançado com o uso de cérebros atrofiados ou corações intimidados.

26 – Isso obriga a uma renovação de valores o mais breve possível, que só pode ocorrer por meio de uma transferência geracional que coloque os jovens em condições de decidir sobre o que têm o direito inalienável, pois devem ser eles que vão. desfrutar ou sofrer as consequências do seu trabalho. Na concepção política, juventude não é uma questão de idade, mas de mentalidade. Os espíritos juvenis também devem pensar que na política nada é dado; o direito de definir como dirigir é conquistado nas tarefas diárias. Cada um carrega “o bastão do marechal na mochila”, agora é uma questão de saber usá-lo adequadamente em todas as ocasiões. 

27 – O atual conflito entre força e opinião, provocado pela usurpação de poder, só pode ser resolvido se for realizada uma ação capaz de desmantelar a força e depois impor a opinião. É uma operação em duas etapas: a primeira, de oposição ativa e combativa, e a segunda, de reconstrução nacional. Se todos nos comprometermos nesta tarefa com determinação e energia, a ditadura não poderá durar e então terá chegado o momento certo para todos, com a maior grandeza e desprendimento, iniciarem solidariamente a tarefa de reconstruir o país em os aspectos em que a destruição é sistemática nos anos de predação.

28 – A mesma ditadura, que não acredito maliciosa, mas equivocada e incapaz, dominada por círculos de pressão, pode renunciar à sua teimosia atual, ou cairá pela dissociação de seus próprios componentes. Nesse caso, também é preciso estar preparado, para que os confrontos suicidas anteriores, que só podem levar ao controle total da força e das tendências que prevalecem atualmente, não voltem a ocorrer.

29 – Enfim, é preciso pensar que o sucesso não é obra do acaso ou da sorte, como muitos pensam: o sucesso é concebido, planejado, preparado, realizado e explorado. É, enfim, uma obra da arte de conduzir que obedece a uma teoria e a uma técnica, mas que, mais do que tudo, depende do “óleo sagrado de Samuel” que o condutor recebeu ao nascer.

Nota do tradutor: Importante aqui, não confundir a questão da integração continental com uma união imperial artificial, cujo um unitarismo nacional seria forçado a todo continente o que iria inevitavelmente causar outras novas fragmentações. Mas uma união continental federada, conforme San Martin, Rosas e Artigas nos deixaram como legado. Um modelo de união respeitando a multiplicidade de cada província, partilhando um mesmo modelo econômico focado em nosso desenvolvimento enquanto nova potência.

Nota do tradutor 2: Também é importante ter em mente, que assim como o bloco nacional socialista-fascista foi sepultado em 1945, em 1991 com o fim da guerra fria e a consequente queda do “império soviético”, o comunismo também é sepultado no mundo. Deixando assim, o caminho livre para o Liberalismo (hoje dominante) preencher todo o vácuo de influencia e poder deixado pelos fascistas e pelos comunistas. Nos dias de hoje o único inimigo dos povos, é o Liberalismo em todas as suas formas politica, econômica, social e filosófica.

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Membro da Resistência Sulista e Dono do blog Contra o Sistema Mundial. Também um ativista ferrenho pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul como uma só pátria sob o estandarte de José Artigas.

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