A divisão da sociedade em seções horizontais corresponde à classificação em “classes sociais”.

A divisão da sociedade em seções horizontais corresponde à classificação em “classes sociais”.

Por Jean Thiriart

Tradução por Guilherme Fernandes / Dono do blog Contra o Sistema Mundial e membro da Resistência Sulista

Respeito, prestígio e poder são, neste caso, atribuídos segundo o único critério de riqueza, bem ou mal adquirida, quando não foi obtida de um dos antecessores da família. As pessoas dizem então que alguém pertence a uma classe social elevada quando sua conta bancária é importante. É uma característica das sociedades decadentes basear-se apenas no dinheiro. O final do Império Romano nos deu um exemplo disso. Vivemos hoje no final do império dos trabalhadores.

O poder pertence, de fato, a essas classes sociais elevadas, seja abertamente ou por intermédio da burocracia política. Nem é preciso dizer que o critério da fortuna constitui quase uma seleção inversa na espécie humana. Uma explica a outra, e a decadência política do nosso regime consiste em parte no fato de estar nas mãos de uma pseudo-elite. Seria grotesco afirmar que o valor de um indivíduo está ligado apenas à sua condição social, isto é, à sua riqueza. Colocar a virtude cívica ou mesmo a própria virtude humana em uma única categoria social seria não dissociar o valor intrínseco de um indivíduo de seu valor bancário. Uma escola tenta fazer-nos acreditar que as únicas virtudes humanas são as que se encontram nas classes sociais ociosas, outra tenta, não menos incorretamente, fazer-nos acreditar na virtude original e inflexível da classe social pobre. Isso é ridículo e desonesto.

Além disso, devemos declarar que amanhã existirão como hoje classes altas e classes baixas, mas que a classe alta não será uma classe socialmente elevada, mas uma classe elevada de homens, uma classe superior de homens. Uma classe elevada, uma classe de responsabilidade, uma classe de serviço. E ao ‘serviço’ damos o sentido nobre, o sentido original.

A aristocracia, no sentido etimológico, é encontrada de baixo para cima na escala social; é essa aristocracia que deve ser encontrada, que deve ser reunida. Este recrutamento da aristocracia não pode ser hereditário sob o risco de uma degeneração rápida, mas deve proceder de uma renovação perpétua.

Presos em classificações falsas, os homens de valor são lançados uns contra os outros no jogo estéril dos políticos. Além disso, eles, o melhor e o pior, se confundem quando se caracterizam apenas pela sua condição financeira. Consideramos a luta das classes sociais estéril, prejudicial à nação e, portanto, altamente condenável.

Esta guerra social não permite que as verdadeiras elites se afastem, retarda, se não impede a sua descoberta. E a qualidade e o poder de uma nação são funções diretas da natureza de suas elites. A guerra de classes engendra pseudo-elites ávidas por prazer material e também fracas diante da adversidade e até mesmo diante das próprias adversidades. Vemos aqui uma das principais razões de nossa atual decadência política no mundo. Devemos proceder o mais rápido possível a uma nova classificação e substituir o domínio da classe social superior pelo domínio da classe superior dos homens.

Fonte: https://piresant.blogspot.com/2021/04/no-more-social-classes-but-classes-of.html?fbclid=IwAR1hIOuNoeqC8fuRfdzz5FgS99qtnhJ8SQIZZSJzPs9yD0zWD1D_k8bDPWY

Guilherme Fernandes

Guilherme Fernandes

Ativista pela independência patriótica da região Sul e também pela reunificação do Uruguai e do Rio Grande do Sul.

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