Irton Marx: Arquetipo do Nacionalista Pampeano

Irton Marx: Arquetipo do Nacionalista Pampeano

O que leva o povo sulista a aderir a causas e movimentos independentistas que buscam uma maior autonomia para a região sul ou até mesmo uma separação definitiva criando um novo país? Porque os sulistas simplesmente não se conformam em permanecerem sendo brasileiros e deixam para trás toda essa história de independência, autonomia e separatismo? Talvez alguns liberais gostem de mascarar o real motivo desse fenômeno para assim favorecer sua narrativa pois, é claro, o espírito independentista sulista, como qualquer outro no mundo, possui um instinto libertário, ou seja, baseia seus princípios no direito de autodeterminação dos povos, nas liberdades individuais e comuns de cada pessoa, no direito do homem poder escolher seguir seu próprio caminho sem baixar a cabeça para nenhum tirano. Mas isso não significa que concordemos com as pautas neoliberais que promovem a total dissolução do Estado, tirando assim o poder do povo trabalhador e o entregando totalmente aos caprichos de uma elite capitalista.

Não são simples pautas neoliberais capazes de contagiar toda uma nação, sobretudo a nação gaúcha que possui um forte ideal trabalhista, não! O que realmente faz com que o sulista busque lutar pela independência de sua pátria austral é um sentimento muito profundo do qual talvez nem ele mesmo saiba explicar, é fruto de uma força arquetípica, ancestral. O sulista almeja pela mesma liberdade que seus irmãos uruguaios, argentinos, chilenos e paraguaios pois existe uma enorme e notável diferença entre o nacionalismo sulista e pampeano para com o nacionalismo brasileiro que não passa de um chauvinismo usado aqui e ali por políticos de esquerda e de direita, todos alinhados com os interesses do grande capital internacional, para promover a desordem e a luta entre o próprio povo além de sua agenda neoliberal, ele é instigado por uma elite burguesa em um povo que nunca sentiu esse sentimento nacionalista, um povo que simplesmente trocou seu fanatismo por clubes de futebol pelo fanatismo por um país artificial, uma colônia de burgueses.

Muito diferente disso, o Nacionalismo Sulista e Pampeano é fruto do inconsciente coletivo do povo sulista, possui suas bases na histórica bravura do povo sulista em não se conformar com os caprichos de tiranos, nunca quisemos um país dado de mão beijada pois a República do Piratini foi erguida pelos próprios sulistas assim como a Banda Oriental, nenhum monarca ou ditador presenteou nossos ancestrais com a República Rio-Grandense eles mesmos a ergueram e talvez esse histórico sulista explique o sentimento patriota do Sul, basta notarmos o patriotismo estadunidense, uma nação erguida pelo próprio povo de lá.

Note que não existe nenhum outro movimento liberal em território brasileiro capaz de conquistar apoio popular, nunca passam de um grupelho de 20 ou 30 engravatados que sonham com o esfacelamento da nação, um caminho aberto para explorar, enganar e persuadir o povo trabalhador; Movimentos assim, embora sejam erguidos e financiados por velhos capitalistas, só conseguem algum apoio de pré-adolescentes de classe média, jovens que não possuem nenhuma causa para chamar de sua e acabam por cair no conto do “Estado malvadão” mas assim que tem suas carteiras assinadas pela primeira vez, compreendem que um mundo entregue nas mãos de monopólios capitalistas seria a total ruína do povo e da nação. Então porque o movimento anil do Sul consegue tanto apoio? Sendo ele um movimento de caráter liberal? A resposta é simples, o que levou os sulistas a apoiarem este movimento foi justamente seu próprio sentimento libertário e nacionalista. O sulista acredita no princípio de liberdade, de autodeterminação, de independência e, acima de tudo, se lembra do passado heroico de seu povo e se orgulha da terra onde vive. Toda a estética daquele grupo encanta o sulista que luta pela nação, pela bandeira, pelo hino, por um verdadeiro patriotismo sulista! O povo dos Pampas, do Sul é um povo patriota e nacionalista, esse apoio não tem nada haver com pautas neoliberais, tem haver com Nacionalismo Sulista! E foi justamente todo este sentimento nacionalista representado e manifestado na figura de Irton Marx.

Em 18 de fevereiro de 1990 foi fundado o Movimento Nacionalista Pampa que buscava não apenas uma maior autonomia mas sim a total independência da República Federal do Pampa, abrangendo o território do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e, posteriormente, Paraná, movimento este que manteve suas bases em uma questão histórica; O Estado do Rio Grande do Sul é, desde 1835, uma República, e o Tratado de Poncho Verde em 1845, que deu fim a Revolução Farroupilha, não incluía a reanexação do território ao Brasil. Daí a bandeira e o brasão do Estado trazerem a inscrição “República Rio Grandense”, além do hino gaúcho retratar a comemoração da independência da República. Portanto, em 06 de junho de 1993 foi efetuada a proclamação da República Federal do Pampa Gaúcho que criava um novo país formado pelos três estados sulistas. Além da cerimônia que reuniu 33 pessoas em Santa Cruz do Sul a proclamação foi registrada em livro ata e encaminhada ao Secretário Geral da ONU para possível reconhecimento. Um dia após a proclamação, eram esperados a demarcação da fronteira do novo país entre as divisas dos estados paulista e paranaense, e o hasteamento da bandeira da República do Pampa Gaúcho em 150 cidades até o final daquele mês. Após, seria realizado um plebiscito, previsto para outubro daquele ano. Aprovada a separação, haveria uma solicitação de audiência junto ao Governo Federal para definir os rumos finais do processo. Irton Marx tinha convicção de que o governo brasileiro aceitaria o resultado do plebiscito, por representar uma vontade popular. No entanto, este plebiscito nunca aconteceu, bem como as ações posteriores previstas.

Não apenas o governo como também organizações regionais gauchescas voltaram seus canhões contra Irton Marx, porque? O Rio Grande do Sul possuía vários outros movimentos que buscavam independência e/ou autonomia como o Movimento República Rio Grandense ou o Movimento O Sul É Meu País, mas porque a imagem de Irton Marx foi a mais atacada e perseguida sobretudo por aqueles que ele tanto defendia, os gaúchos? Existem algumas razões pela qual a Brasilidade usou tudo que tinha contra Irton Marx.

O MTG nunca foi um simples movimento tradicionalista que visava assegurar a existência do tradicionalismo gaúcho. A verdade é que a cultura e o tradicionalismo gaúcho sempre foram um impasse no aculturamento dos sulistas pelo Brasil, pois o gaúcho, independente de crença ou opinião política, sempre teve orgulho de ser do Rio Grande do Sul ainda que se considerasse brasileiro ou não e ainda pior ficou esta situação, para o Brasil, quando todos os imigrantes italianos e alemães trazidos para cá com a intenção de se misturarem com os habitantes locais acabaram preservando sua própria cultura também.

Agora o Sul tinha uma identidade ainda mais diferente da brasileira; O governo brasileiro então utilizou-se da imprensa carioca para promover a desunião do povo sulista, inventando uma trama fantasiosa de que os alemães estavam planejando transformar nossa região em um estado-fantoche que obedeceria diretamente ao então Reich Alemão; Essa mentira, no entanto nunca foi comprovada, mas conseguiu enganar muitos gaúchos que acreditaram ter sua liberdade ameaçada por simples fazendeiros alemães. Tudo isso gerou um clima de desconfiança no ar, tanto da parte dos alemães, com medo de serem atacados por gaúchos, como da parte dos gaúchos com medo de um golpe de estado eminente, o que se fortificou ainda mais com a campanha de nacionalização de Getúlio Vargas que tinha, como finalidade, destruir toda e qualquer diversidade existente no Brasil e substitui-la por aquele mesmo chauvinismo promovido hoje pelas elites.

Décadas após isso foi criado o MTG, movimento este que possua laços íntimos com a ditadura militar e tinha por objetivo a total aculturação de todo e qualquer riograndense que não se encaixasse no model deles de “gaúcho ideal” pilchado com bombacha, chapéu, lenço, etc…

Este foi um golpe definitivo no coração do Pampa Gaúcho pois agora a cultura e o tradicionalismo gaúchos não eram mais um motivo para a independência tampouco estavam alinhados com a cultura e o tradicionalismo alemães, mas se tornavam um braço da Brasilidade na luta contra a autodeterminação do povo gaúcho! A Brasilidade, envergonhada por não ter conseguido aniquilar o patriotismo gaúcho acabou por criar uma versão deturpada do mesmo, um gêmeo maldito que buscava se disfarçar de gaúcho quando na verdade não passava de brasileiro, assim foram instituídos, no Rio Grande do Sul, o “dia do gaúcho” ao invés de um “dia da independência” além das passeatas na semana farroupilha hasteando as bandeiras brasileira e riograndense lado a lado como se representassem um mesmo povo ou um mesmo ideal e tudo isto está no cerne o MTG. Não passa de um movimento dedicado a atrair gaúchos, confundir suas mentes e faze-los lutar pelo Brasil como se a defesa do patriotismo gaúcho estivesse no patriotismo brasileiro quando na verdade a história nos mostra o contrário. Seu real objetivo é a total aniquilação do verdadeiro gauchismo, aquele herdado dos nossos antepassados, passado de pai pra filho e compartilhado com nossos irmãos uruguaios e argentinos para substitui-lo, assim, por um gauchismo farsante, alinhado aos interesses da Brasilidade e não passando de uma arma contra qualquer outra cultura que crie raízes neste solo gaúcho.

E foi exatamente o mesmo cenário da década de 1930 que se repetiu na década de 1990, a Brasilidade sabia o que Irton Marx e o Movimento Nacionalista Pampa representavam; Irton Marx, e seu movimento, representava o arquétipo do nacionalismo sulista de uma forma nunca antes vista, nem mesmo Bento Gonçalves, General Netto ou Gumercindo Saraiva conseguiram manifestar tal arquétipo, é claro que foram grandes homens na história sulista e que lutaram pela liberdade e autodeterminação da Pampa mas ninguém representou tão bem todo o significado do ideal de independência sulista quanto Irton Marx e seu Movimento Nacionalista Pampa.

Mesmo sendo filho de imigrantes alemães defendia a preservação da cultura gaúcha pois compreendia que o pangauchismo se faz presente na maior parte do território sulista e, ainda que os pica-paus do MTG quisessem nos associar ao Brasil, este gauchismo apenas nos aproxima ainda mais dos nossos camaradas do Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile. Criou até mesmo uma nova bandeira para a República do Pampa pois, embora nos orgulhássemos da bandeira do Rio Grande do Sul, é uma bandeira que representa o passado, um passado glorioso de vitórias e independências que jamais deverão ser esquecidas tampouco tidas como problemáticas por alguns burgueses chimangos, porém devemos olhar para o futuro, perseguir o progresso e a bandeira de Irton Marx representava exatamente este futuro para a República do Pampa

Então trataram de atiçar os pica-paus do MTG contra Irton Marx se utilizando da boa e velha mentira fabricada de um “perigo nazista alemão no Sul do Brasil” e invocaram, outra vez, a ajuda da imprensa carioca para sustentar essa mitologia nazista através de uma reportagem tendenciosa do Programa Fantástico que tentou, de todas as formas, pregar a imagem de um Irton racista e de um movimento nazista. Mesmo sem nenhuma prova, escrita ou gravada, de que Irton fosse tudo isso, conseguiram agitar a braúchada contra o independentismo sulista e assustar a população riograndense com o fantasma do nazismo, o que acabou por desunir ainda mais o movimento independentista do Pampa. Irton Marx foi investigado, conduzindo a depor e, posteriormente, preso por ter expressado sua liberdade de pensamento sem anonimato porém venceu nos tribunais com coragem, dedicação e muito amor à causa que prega. Toda esta agitação contra o nacionalismo pampeano acabou tendo graves consequências para a nossa causa, dos gaúchos que apoiavam Irton Marx alguns acabaram por sepultar de vez seu sentimento independentista passando a encarnar o braúchismo do MTG enquanto outros acabaram por se filiar ao movimento anil, que já vinha ganhando certa popularidade e que possuía, e ainda possui, uma propaganda estética muito atraente que cativa muitos sulistas mas que infelizmente é, em essência, apenas mais um movimento liberal sem qualquer identidade profunda verdadeiramente nacionalista ou patriota.

Irton Marx continuou defendendo seus ideais durante muitos e muitos anos seguintes, chegando a trocar as cores de sua bandeira (amarelo, vermelho e preto para branco vermelho e azul) pois até mesmo a bandeira da República Federal do Pampa, criada por Irton Marx, foi tachada de nazista por usar as mesmas cores da bandeira alemã, passou a defender a união do Sul com São Paulo criando os Estados Unidos do Sol da América, resgatando os ideais farroupilhas, respeitando nosso passado de glórias e nossos heróis riograndenses porém Irton Marx só via gaúchos o atacando ou indo para o movimento anil liberal disfarçado de separatista. Então por volta de 2015 Irton Marx se tornou uma figura irreconhecível, prega hoje contra todo e qualquer tipo de gauchismo e, ainda que muitos maragatos o apoiem, tenta se afastar ao máximo de tudo que é ligado ao histórico independentista do Pampa: O tricolor farroupilha, o hino riograndense, a própria história da República do Piratini, tudo isso é hoje rejeitado por Irton Marx tentando promover um separatismo quase que sem identidade, sem um passado e, consequentemente, sem futuro. É triste ver que até o pioneiro dos movimentos pós-farroupilhas acabou por se deixar levar pela propaganda anti-gauchista do inimigo passando a defender um separatismo riograndense anti-gaúcho. Mas o Nacionalismo Sulista faz parte do inconsciente coletivo do nosso povo e em algum momento ele irá se manifestar novamente de forma ainda maior, pois todo espirito que é reprimido quando despertado se levanta com sede de justiça e por isso acredito que, em algum momento, esse arquétipo voltará a se manifestar e se não for através do próprio Irton Marx será de alguma outra forma.

Ainda torço para que Irton Marx reveja seus conceitos e volte a suas origens, que volte a compreender que gauchistas e germanistas não são inimigos pois é justamente a união do conservadorismo gaúcho com o progressismo germânico que fazem o nosso Rio Grande do Sul ser o que é mas se a Pampa não voltar a ver um de seus melhores filhos a defender como defendia acredito que não será o fim porque independente do futuro e do final, Irton Marx já está registrado na história do Rio Grande do Sul como o grande arquétipo do Nacionalista Pampeano.

Autor: I.V. Bueno Severo – Resistência Sulista

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2 comentários sobre “Irton Marx: Arquetipo do Nacionalista Pampeano

  1. Falando mal dos outros movimento não se chegará a lugar nenhum. A junção das forças separatistas, cada qual à sua maneira, certamente resultará na Pátria Sulina.
    Pensar em caminhos diferentes não é ser anti-sulista, pelo contrário, é a busca de uma via diferente, com o mesmo fim: Felicidade e Liberdade.

    1. Nós acreditamos nisso também, mas não entenda como falar mal, mas sim apresentar contrapontos. MSMP falou muito mal do Irton por décadas, nós como outro movimento (não somos parte do movimento do Irton) entendemos que temos de unir forças.

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