GAUCHITO GIL, O “SANTO PAGÃO” DO PAMPA

GAUCHITO GIL, O “SANTO PAGÃO” DO PAMPA

Não há mal algum em coexistirem tradições “pagãs” e tradições religiosas, ambas fazem parte do legado dos nossos antepassados. Todas ou quase todos os festejos cristãos têm origem pagã, inclusive o Natal, que é uma mistura do profano e do religioso.
Entendemos que as sociedades devem assentar no mutuo respeito das tradições, assim como as correntes religiosas o devem fazer relativamente umas às outras.

Não há como negar que antes de haver fé cristã na América Austral já existiam outros cultos muito anteriores ao culto cristão. Entretanto, aceitarmos o nosso passado e as tradições dos nossos antepassados é uma forma de termos orgulho no que hoje somos e para onde vamos.

No Pampa argentino não é diferente, há um santo gaúcho, de chiripá e tudo que é considerado pagão. Trata-se de Gauchito Gil, nascido em 12 de agosto de 1847 sob o nome de Antonio Mamerto Gil Núñez. Foi um trabalhador rural gaúcho que, durante a luta entre federais e unitários (no século XIX), abandonou os colorados após a aparição de um anjo, que teria dito a ele que não devia derramar sangue entre irmãos.

Perseguido por ser desertor se converteu numa espécie de “Robin Hood Criollo”, que roubava dos ricos para distribuir aos pobres. Há outra versão de que Gil era devoto de São Morte e matava todo liberal que cruzasse seu caminho.

Foi capturado por membros do Partido Liberal em Mercedes, província de Corrientes, onde o penduraram de cabeça para baixo numa árvore e o degolaram. Antes de morrer, Gil disse que perdoava o soldado que iria matá-lo e que este, quando voltasse para casa, iria encontrar curado o filho que estava muito doente. As palavras de Gauchito se cumpriram e ele operou seu primeiro milagre, tornando um símbolo da cultura popular pampeana.

Em sua homenagem, milhares de fiéis rumam todos os anos sempre no dia 8 de janeiro, dia da morte de Gil, para Mercedes – localidade distante apenas 130 quilômetros da cidade gaúcha de Uruguaiana –, onde é celebrada uma grande procissão a cavalo. A manifestação pagã reúne mais de 2,5 mil almas e 500 ginetes, com suas melhores pilchas.

TERRA! TRABALHO! LIBERDADE!

Autor: Camarada Douglas Torraca/Aurora Precursora
Imagem: Marcelo Czapiewski

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