Contestado é Resistência!

Contestado é Resistência!

Na data de hoje relembramos a maior guerra civil da nossa região – a Guerra do Contestado – essa que foi um conflito armado que ocorreu entre 22 de outubro de 1912 e durou até outubro de 1916. O conflito aconteceu em uma região de disputas territoriais entre Paraná e Santa Catarina e envolveu cerca de 20 mil camponeses que enfrentaram forças militares do governo que cedeu aos interesses estrangeiros e negligenciou as necessidades do povo local.

O motivo da guerra deu-se pela concessão de terras cedidas a uma empresa norte-americana para a construção de uma estrada de ferro que ligava São Paulo e Rio Grande do Sul, com apoio do governo federal e dos latifundiários da região. Essa corporação estrangeira também obteve posse de terras sobre as faixas marginais à ferrovia, de onde passou a extrair madeira. Para a construção, milhares de famílias camponesas perderam suas terras e seu meio de subsistência.

Após o término da construção da ferrovia, os funcionários que trabalharam nas obras permaneceram na região, na condição de desempregados. É nesse contexto que antigos moradores e ex-funcionários da rodovia entram em conflito com os madeireiros e as elites locais da região. Os caboclos que habitavam a região contestada eram, em sua maioria pessoas simples, proletários do campo. Constantemente acuados pelos latifundiários, viviam na miséria e eram totalmente negligenciados pelo governo.

Esquecidos, buscavam então refúgio na religiosidade, uma vez que as ações da República recém criada não atingiam esta população. Essa religião não estava vinculada oficialmente à instituição católica que, por sua vez, estava limitada a poucas paróquias com um número reduzido de padres para atender toda a população em um espaço geográfico abrangente. Assim surgiram peregrinos que se diziam curandeiros e benzedores que ficaram conhecidos como monges. Três deles influenciaram significativamente o povo da região do Contestado, sendo eles: João Maria de Agostini, João Maria de Jesus e José Maria.

Os caboclos abandonados, desacreditados do então projeto republicano de modernização, obtiveram amparo do monge José Maria – este que pregava contra a República – e passam a segui-lo. Neste ritmo, os seguidores organizaram-se em irmandades e fundaram os redutos, também chamados de “Cidade Santa”, onde sobreviviam de forma solidária. As tais cidades e seus moradores começaram a ser duramente reprimidos pela ação das tropas armadas do Governo Federal, com o apoio das multinacionais e dos coronéis locais.

Em 22 de outubro, o monge José Maria é morto. Seus seguidores, inconformados, radicalizam o conflito e eclode a guerra civil. Os integrantes do movimento do Contestado não se renderam facilmente: ergueram novas sedes e partiram para o combate às tropas militares.

Diante dessa resistência, o Governo Federal utilizou todo seu poderio militar, contingente de soldados e equipamentos para obter êxito na destruição da revolta. Somente em 1916 a guerra teve fim, com a prisão do último líder rebelde.

O conflito teve um grande número de mortos e resultou na assinatura do Acordo de Limites Paraná-Santa Catarina. Estima-se que vinte mil pessoas perderam suas vidas no Contestado. A dizimação também ocorreu em decorrência da fome e de doenças como o tifo.

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